sábado, 11 de maio de 2013

Redução da maioridade penal



A boa educação da juventude

 é a prenda mais segura 

da felicidade de um Estado.



A redução da maioridade penal vem sendo discutida nas últimas semanas e um projeto de lei que alcançaria a maioridade penal ao menor de 18 anos está para ser votado no congresso nacional.  Isso porque criminosos tem se utilizado de adolescentes para cometerem seus crimes, cientes de que os menores, protegidos por lei, não serão presos. No máximo serão apreendidos e levados para uma instituição pública a fim de receberem medidas sócio-educativas.  Na visão de muitos, o cárcere é o que temos como solução. É revoltante vermos crimes horrendos serem cometidos e o responsável sair pela porta da frente porque não pode responder por seus atos. Nos revoltamos e nossa vontade é a de que esse jovem pague pelo que fez. Sim, nós os revoltosos. Os que estão em frente à tv, bombardeados pelas notícias de sempre, violência, violência, violência. Não temos piedade, porque não sentimos piedade da parte deles para conosco. E o ódio cresce e a revolta cresce, pois tudo o que vemos é apenas isso, criminosos.

Na mesma linha de pensamento, paro e lembro que tenho uma filha e ela é o que tenho de mais precioso. Percebo que eu preciso ter a medida certa para tratar com ela. Não posso ser muito condescendente. Por outro lado, também não posso ser brutal. Tenho de ser firme, sem, contudo, falar coisas que a magoem profundamente ou que a façam sentir-se pequena internamente. Minha filha às vezes possui alguns traços de revolta e isso me deixava confusa até eu perceber que isso acontecia nos momentos em que eu mais perdia a paciência ou, sem que me desse conta, dedicava a ela pouco do meu tempo, em meio à correria da vida. Ela precisa de mim, ela quer minha atenção. Ela quer o meu carinho, mas também quer ser disciplinada. Ela não fala tudo isso, mas eu sei, porque a entendo. Ela, minha filha, não é diferente de outras crianças e eu sei que quando ela crescer, ainda que se torne mais independente e questione muito mais, ainda assim, ela ainda precisará de mim, e ainda há de esperar que eu a compreenda e a ame. Mas por que eu escrevo isso? Explico:

Encerrar nas prisões esses adolescentes que cometem crimes bárbaros, horrendos, tais como sequestro, estupro, homicídios e tantas outras coisas mais, é a solução que temos para o momento. É o que nos restou. Porque o nosso país não foi capaz de educá-los. Nosso país não foi capaz de evitar que eles crescessem nas ruas se espelhando em assaltantes, traficantes e assassinos. Esses malfeitores são o que eles têm de real. São seus ídolos, "heróicos" e corajosos.  A vida criminosa os recebeu e eles se sentem importantes em poder mostrar que são capazes de fazer algo, ainda que esse algo seja acabar com a vida de alguém e com a sua própria.

Onde estava o governo quando não acolheu o menino? Quando não lhe deu a chance de mostrar que também era bom em fazer o bem?  Quando o podia incentivar a gastar toda a sua energia com algo que valesse a pena? Quem na escola lhe ensinou as artimanhas que usam para prendê-los à cocaína e ao crack? Onde estavam os pais que não lhe mostraram os valores da vida? Talvez não tivessem valores para ensinar, perdidos que estavam em seus mundos de desemprego, de falta de estrutura, pobreza e esquecimento. Alguém pode alegar que uma vida de atenção e ensinamentos não garante manter esses jovens longe da vida criminosa, mas eu tenho comigo que se tivéssemos feito nossa parte, o número de jovens perdidos na vida não seria tão grande como é hoje.  Eu digo NOSSA PARTE porque um país não se faz apenas com um grupo de pessoas. Quem tem que cobrar, fiscalizar, exigir e votar somos nós, ainda que achemos que a obrigação é só de quem tem os seus problemas.

Joguem os jovens nos presídios, superlotem o que já está lotado. O que eu apenas digo é que a máscara está em voga mas ainda há de cair.

A falta de atenção com o indivíduo e o descuido com a educação do próprio país não geram apenas pessoas ignorantes, geram  indivíduos que, sem limites, valores, objetivo ou respeito por si mesmos, se voltam contra tudo e contra todos, na ânsia de destruir a si próprio e a quem estiver perto.

Não conhecem o amor, não sabem o que é respeito e não possuem consciência comum.

O que esperar de pessoas assim?






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