sábado, 1 de dezembro de 2012

Porque amar o que é belo




"Quem sabe que o tempo está fugindo
descobre, subitamente,
a beleza única do momento que nunca mais será…" (Rubem Alves)


Vou começar perguntando, como se houvessem dúvidas dentro de mim: por que ler um livro? Por que dançar? Por que parar para escutar uma música?  E por que eu deveria me tornar um fotógrafo, um pintor, ou mesmo um poeta? Nada disso fala ao meu coração. Não nasci para isso. Por que eu deveria aprender a tocar piano, um violão, um banjo ou um cavaquinho? Por que as pessoas acham tão bonito olhar para um pôr-do-sol quando a única coisa que eu consigo enxergar é apenas o sol se pondo? Não vejo a lua. Ela está lá em cima e eu aqui. Não tenho tempo de olhar para cima. Não há tempo. Não há tempo….

Vou contar a você uma história. A história de um povo que vive em uma ilha e viveu a insegurança durante muitos anos. Esse povo sabe o que é o medo. A máfia  era quem mandava em suas vidas, como ainda acontece de mandar. Essa ilha é a Sicília. Como já devem ter escutado falar, sua máfia sempre foi uma das mais terríveis do mundo. Ainda que muitos Sicilianos depositassem uma certa “esperança” de que os membros de clãs mafiosos protegessem suas vidas mais do que a própria polícia de seu país, viver no cenário de uma cidade onde o calar preserva a vida, e a cegueira dos que não viram  os torna sábios, não é o que se pode chamar de “paraíso de todos os homens”.

Talvez sonhassem com mudanças, mas por não terem a quem recorrer, esses italianos se voltaram para o que conheciam de melhor: a beleza. A Sicília, ainda que tenha sofrido e ainda sofra com a violência, é uma cidade que possui monumentos de beleza ímpar. Ainda que sentissem o peso da vida em silêncio, é um povo que canta. Vêem a beleza nas mais pequenas coisas. O que talvez aos nossos olhos passe despercebido, eles o reconhecem. Sua ilha, em meio ao tom opaco das mercadorias do tráfico, possui cores vivas. Os seus vales e costas exalam os mais diferentes perfumes que descem até as praias. O fascínio da terra áspera que possui sabor. A Sicília dança, a Sicília canta, chora e vive.

No Brasil, temos nossa semelhança com eles: rimos quando muitas vezes gostaríamos de chorar e preferimos viver a desistir. Buscamos todos os dias força e a alegria que há dentro de nós, que nos puxa e nos atrai sempre. Porém, muitas vezes nos esquecemos de ver a beleza da vida.
Se admire ao ver o vermelho quente do pôr-do-sol. Aquele pôr-do-sol está ali para lembrá-lo de que você é tão belo e suave quanto ele. O dom que temos para a música não é para esquecermo-nos de nossas vidas, mas para senti-la, porque a música está dentro de nós e de nós surge.

A pintura é você ali, exposto em seus quadros,  com a alma e sentimentos despidos . E os livros…. ah…. aqueles livros de literatura, que tantas vezes os professores nos fizeram ler, são para lembrá-lo de que  ainda há uma criança dentro de você. A criança que fantasia, que chora e ri com as intempéries de seus personagens,  a criança que torce para que o seu herói se dê bem e que todos sejam felizes para sempre.  O pequeno príncipe ainda ama a sua pequena rosa e Rubião, ainda que tenha morrido enlouquecido em seu amor, foi digno em sua inocência.

Quanto à poesia, tão incompreendida, ela não é palavras bonitas jogadas ao vento. É essência. Um dia,  homens se admiraram ao descobrir a beleza que há em cada coisa, em cada acontecimento. Esses homens acolheram a vida como quem estende a mão para a chuva. E os poetas em sua doce rebeldia ainda escrevem: abram os olhos e enxerguem o que há de belo no mundo.

Ame a profundidade da beleza. Não a beleza dos homens, mas a que está oculta, como uma pedra preciosa esperando ser descoberta. Quando você enxergar as pedras que brilham nos olhos de cada pessoa, no sol que se levanta e se põe, na dignidade dos animais que seguem reverentes sua natureza, quando você se enxergar no olhar sorridente da criança, então terá se tornado um poeta. E ainda que pense em fugir, será inevitável. A beleza terá se revelado a você em todo o seu esplendor e você será belo. Tão belo quanto tudo o mais na natureza.

Raquel

Fonte sobre a Sicília: Wikipédia

Remédio não é bala







“Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. 
Sou uma culpada inocente”.
(Clarice Lispector)


Às vezes achamos que sabemos tudo, se não tudo, ao menos quase tudo. Mas quantas vezes a vida não nos surpreende e acabamos descobrindo que não, não sabemos de tantas coisas assim quanto pensávamos? Vou falar sobre o que eu descobri esse final de semana.

Há algum tempo atrás, para ser mais exata há um ano aproximadamente, eu passava por um período pelo qual muitos já passaram: os estresses da vida. Não era algo difícil, mas me sentia um tanto ansiosa, preocupada, querendo ter controle sobre todos os acontecimentos da minha vida. Minha superiora percebendo, me perguntou por que eu não procurava o psiquiatra pelo qual ela passava (fiquei até surpresa em saber que ela passava por um psiquiatra, já que, para mim, a mente dela era perfeita e super equilibrada – pensamentos de quem  não entendia nada sobre o assunto e, (por que não dizer?) tinha um certo preconceito ignorante). Hoje sei que a consulta com psicólogos, terapeutas e psquiatras não só é comum, como as pessoas estão compreendendo melhor os benefícios em se esclarecer com um profissional.Pois bem: passei em consulta e ele me receitou um ansiolítico de marca muito conhecida e confiável. Os ansiolíticos são medicamentos utilizados há muitos anos e com eficiência comprovada no tratamento da depressão e de crises de ansiedade.

Comecei com uma dose bem pequena, porque meu caso era algo simples e comum de tratar. Pelo fato de eu estar utilizando uma dose bem pequena do medicamento, nos feriados que passaram há pouco, 15 de Novembro e dia da Consciência Negra,  eu não fui buscar na farmácia meus medicamentos que haviam acabado. Pensei: “assim que passar o feriado, desço e pego o meu medicamento.” Nunca pensei que me arrependeria tanto disso.

A princípio não me dei conta dos sintomas que precederam a falta do medicamento: tremor nas mãos e um pouco de insegurança. Nos dias seguintes as coisas começaram a piorar: suores, falta de memória e minha mente já não raciocinava de forma tão clara. Ainda assim, não me passava pela cabeça que fosse a falta do medicamento,  eu ainda acreditava que por ser um medicamento “fraco” ele que não faria falta no organismo. O pior aconteceu do quarto dia em diante: todas as noites eu tinha febre de 40 graus e não lembrava o nome das coisas. Fui falar com a minha sogra sobre a mangueira que estava no quintal e minha mente não lembrava do nome daquela “borracha comprida que soltava água”. Lixeira, esquimó, urso, não encontrava mais na minha mente. E então percebi que a coisa estava ficando séria.

Procurei um clínico geral o qual mandou fazer alguns exames: dois hemogramas completos (eu sentia muuita dor no corpo), exame de urina e…  nada.  Tudo estava normal. Só não me perguntaram se eu tomava algum tipo de medicamento. No sexto dia eu já não dormia e não comia há quatro dias, parecia um zumbi,  e foi então que o pior aconteceu: surtei. Uma noite atravessei o portão da minha casa desesperada, achando que alguém iria me matar. Imagina a cena: sexta feira à noite, ninguém na rua,  e eu ali, correndo, correndo, correndo! Corria o mais rápido e o mais forte que eu podia. Já não tinha quase fôlego, mas é como se eu quisesse fugir da cidade, de tudo. Entrei em ruas que eu nunca havia entrado antes.

Enfim, resumindo, a polícia militar me encontrou e eu fui parar em um pronto socorro psquiátrico. Só naquele dia os médicos descobriram que eu estava em abstinência do bendito medicamento há seis dias. Me explicaram o que havia acontecido comigo: meu corpo estava viciado e eu não podia suspender ou deixar de tomar o medicamento de uma hora para a outra. Fiquei chocada com aquilo. Eu, que sequer havia fumado em toda a minha vida, bebia só em festas, descobri que era uma dependente química.

Confesso que ainda não assimilei isso direito. É estranho. Sempre que me perguntavam: “você tem algum vício?” Eu respondia: “não”. Agora já não sei nem o que responder. Voltei a tomar o medicamento conforme prescrição médica e me sinto super normal, como antes. O que posso dizer é que eu queria poder tirar esse medicamento do meu corpo, mas sei que não posso, por enquanto. O médico me explicou que tem de ser aos poucos e somente no final de 2013 não precisarei mais do medicamento. Por outro lado, também não posso dizer às pessoas que não procurem um especialista médico como eu fiz, porque sei que o medicamento me ajudou muito quando eu sentia que eu não estava bem para trabalhar e para interagir com as pessoas.

O que eu quero com esse post é  simplesmente “dizer” às pessoas que medicamento não é bala. Não é doce  que se chupa a hora que quer e o dia que não quer mais deixa de lado, tal como fazem com os analgésicos que mais parecem refresco nas mãos de quem não leva medicamento a sério. Lembre-se disso: medicamento é droga. Droga como qualquer outra. A diferença é que ela é medicada e sendo bem administrada ela age bem. Leve a sério o que seu médico lhe recomenda. Não brinque com o que você tem de mais precioso que é a sua vida e a vida das pessoas que você ama. Quanto à automedicação sem prescrição médica que tanto vemos por aí, eu só posso perguntar:  você está de brincadeira, né?  Cuide-se. 

Um abraço desta.

Raquel

Companheiros









Quem tem um amigo, mesmo que um só, 
não importa onde se encontre, 
jamais sofrerá de solidão;
poderá morrer de saudades, mas não estará só.
Amir Klink


Hoje inicio o meu primeiro blog. Não sei como será, o que vai ser do futuro dele, se conseguirei tocar no coração das pessoas que me lêem ou mesmo expor minhas ideias. 

Mas enfim… o meu principal objetivo aqui é fazer amigos. Esse blog é  para perguntar a você: “aceita mais alguém na sua vida?” 

O que tenho a oferecer são minhas ideias, meus ideais, tudo aquilo que eu acho que seja o melhor para mim e, quem sabe, até para nós. Não que eu tenha conhecimento de muitas coisas, muito pelo contrário. Acho até que escrevendo aqui vou descobrir que, praticamente, não sei nada da vida. Mas com vocês acho que posso aprender mais e  passar mais de mim, atrávés dos acontecimentos do dia-a-dia. 

Hoje ofereço a você aquilo que eu tenho de melhor: meu amor, minha sinceridade e a vontade de conhecer e ser conhecida por você. 

Boa sorte para nós.  

Raquel

Olá, mundo!




Você está convidado a dar uma parada por aqui!
Local em que as idéias surgem do dia-a-dia da vida!
Seja bem vindo ao meu mundo, ao seu, ao nosso!